Aiyra ibi abá - Fábio Brazza / com Mariana Assis

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Por Marcella ☉☽ @sementeviva descoberto pelo Player FM e nossa comunidade - Os direitos autorais são de propriedade do editor, não do Player FM, e o áudio é transmitido diretamente de seus servidores. Toque no botão Assinar para acompanhar as atualizações no Player FM, ou copie a feed URL em outros aplicativos de podcast.
Homem branco chegou aqui E me perguntou: Quanto custa essa terra Só falar que eu te dou Mas eu não entendi Índio não entende Minha terra é minha mãe E a mãe não se vende Eu agradeço a mensagem cálida, mas cara pálida Sua proposta não é válida A vida não é propriedade de quem vence a guerra A terra não pertence ao ser humano O ser humano é que pertence a terra E é ai que você erra, pois não se pode comprar a clareza da agua a pureza do ar Não sou dona de nada, nada disso é meu Tudo isso é um presente que a natureza nos deu Veja bem esse Rio é sagrado pra nós Ele que matou a sede dos nossos avós Ele corre em nós, como o sangue na veia E é da seiva do solo que sai nossa ceia Receio, que ainda assim você não entenda Já que em sua sociedade tudo esta a venda Mas índio se defende e índio não se rende Pois a honra para nós não é uma questão de renda Veja na natureza não há cobiça A gente tira o que precisa, nada se desperdiça Dizem que Índio tem preguiça, mas é que não é normal É o cumulo tamanho acumulo de capital Esse mundo tá doente, perdido Se não posso deixar posse apenas passo a lição do ente querido Não faz sentido, trabalhar a vida inteira Por coisas que cedo ou tarde vão parar numa lixeira Não, eu não entendo a sua maneira de vida Seu progresso não passa de uma manobra suicida Meu povo vive em igualdade e liberdade E você chama a sua sociedade de evoluída? Ultimamente quando ando pela terra Escuto o prenúncio de uma guerra Do homem que mata Do ferro que berra Do grito aflito da mata oculto Pelo ranger da moto serra Senhor, se for tomar essa terra lhe peco o favor Que ensine seus filhos a trata-la com amor Mas se for para manchar E destruir a terra que eu nasci Antes de partir, me enterra aqui Porém saiba que ainda que eu me vá, meu povo viverá Pois somos um pedaço da alma deste lugar E quando a última arvore tombar O homem branco vai perceber Que dinheiro não se pode comer Ai você vera; eu e você somos iguais Temos a mesma alma que as plantas e os animais Da terra viemos e pra ela iremos voltar Mas até lá já será tarde demais

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