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Golpe de 64 e golpe contra Dilma foram construídos com afinco, aponta ex-ministro Roberto Amaral

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“O golpe de Estado de 64 não foi um dia de sol, um céu estrelado em pleno inverno. Foi uma coisa construída, trabalhada com afinco, como foi trabalhado o processo do golpe que destitui Dilma Rousseff, eleva Michel Temer, torna inelegível o presidente Lula e torna Lula um presidiário”. A afirmação é de Roberto Amaral, 84, ao TUTAMÉIA. Jornalista, ministro da Ciência e Tecnologia no primeiro governo Lula, ele avalia que o golpe que derrubou Dilma fez parte de um processo “de fascistização, de destruição do país, das estruturas democráticas, das instituições”. E alerta: “Precisamos aproveitar esse primeiro de abril refletindo sobre 1964 não como fato atípico. 64 foi o coroamento do processo de direitização das Forças Armadas brasileiras, que passaram a intervir no processo histórico brasileiro”. Nesta entrevista, Amaral fala de sua militância política na juventude, da resistência à ditadura militar, de sua adesão ao Partido Comunista e, depois, ao PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário). Nascido numa família tradicional do Ceará _de “latifundiários decadentes e reacionários”, como ele define”, Amaral transitou do catolicismo para as ideias comunistas e marxistas. A opção pela esquerda aconteceu quando começou a frequentar a faculdade de direito e entrou em contato com os chamados autores nordestinos do ciclo das secas: Graciliano Ramos, José Lins do Rego, José Américo de Almeida. No dia do golpe de 64, ele era estudante de direito e assessorava o então governador do Estado do Ceará Virgílio Távora. Foi Távora que o alertou sobre o golpe, ainda no dia 31 de março, orientando-o a se cuidar e avisar os seus amigos. “Saí do palácio e fui contatar os companheiros, não só do partido, mas da esquerda. A todos eu surpreendi. Ninguém acreditou na mensagem que o governador mandava. Pela manhã, chego na faculdade e meus amigos estavam comemorando o levante do general Mourão. Diziam eles, em festa, que estava ocorrendo o que o sistema queria. Os golpistas tinham botado a cabeça do lado de fora, para que o general Assis Brasil cortasse o pescoço”, conta. E resume: “Trabalhávamos com o máximo de ignorância possível dos fatos. O que nos caracterizava era desorganização e uma carência de informação de dados. O que se chamava de esquerda no Ceará se dispersou no Primeiro de abril”. Nesta conversa, gravada em 20 de fevereiro de 2024, Amaral reconstitui os seus passos naqueles dias e meses e lembra das avaliações políticas da época: “O comício do dia 13 de março nos enganou muito. No dia 17 de março, fomos homenagear o PCB comemorar no nono andar da ABI. Prestes fez bela conferência e defendeu: 1. Não havia a menor possibilidade de golpe no Brasil; 2. As Forças Armadas vinham das classes populares; 3. As Forças Armadas eram legalistas. Isso estufou os nossos pulmões, saímos felizes, porque íamos ao poder sem golpe de estado. Dia 18 de março, Prestes repete o discurso em São Paulo, numa grande concentração no Pacaembu. No dia 1º de abril ele estava fugindo. Isso mostra que não estávamos preparados nem para dar golpe nem para resistir ao golpe”. O depoimento integra uma série de entrevistas sobre o golpe militar de 1964, que está completando sessenta anos. Com o mote “O que eu vi no dia do golpe”, TUTAMÉIA publica neste mês de março mais de duas dezenas de vídeos com personagens que vivenciaram aquele momento, como Almino Affonso, João Vicente Goulart, Anita Prestes, Frei Betto, Roberto Requião, Djalma Bom, Luiz Felipe de Alencastro, Ladislau Dowbor, José Genoíno, Roberto Amaral, Guilherme Estrella, Sérgio Ferro e Rose Nogueira. Inscreva-se no TUTAMÉIA TV e visite o site TUTAMÉIA, https://tutameia.jor.br, serviço jornalístico criado por Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena. Acesse este link para entrar no grupo AMIG@S DO TUTAMÉIA, exclusivo para divulgação e distribuição de nossa produção jornalística: https://chat.whatsapp.com/Dn10GmZP6fV...

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